• Posse do Governador Alberto Goldman

    Leia a íntegra do Discurso de Posse do Governador Alberto Goldman

    Governador Alberto Goldman: É uma honra estar aqui nesta mesma tribuna em que, 39 anos atrás, proferi o primeiro discurso da minha vida política, então como deputado estadual, para ser agora empossado no cargo de governador do Estado de São Paulo. Na época, pouco após o AI-5, ápice da ditadura militar, quando se cassaram centenas de mandatos populares, eu com 33 anos de idade, pai de três filhos pequenos, ousara ser candidato para confrontá-la, para lutar pelo restabelecimento do Estado de Direito Democrático. Desse ideal nunca me afastei.

    Sinto apenas a ausência dos meus pais, que certamente aqui estariam orgulhosos para verem seu filho assumir o principal cargo político do Estado. Humildes imigrantes judeu-poloneses na década de 30, ele vendedor ambulante, alfaiate e depois empresário do setor de confecções, encontraram no Brasil um lugar no mundo para viver, criar a família e serem felizes. Ainda recordo o meu pai dizendo "este é o melhor país do mundo". Se tivessem ficado na sua terra natal, a Polônia, teríamos sido vítimas do holocausto, que vitimou milhões de judeus e outros milhões de cidadãos do mundo.

    Não posso também deixar de ressaltar os milhares de brasileiros que, com sua luta, vivos ou mortos, são protagonistas desse momento. Quero fazê-los representados por um simples e humilde companheiro, o pernambucano Amaro Cavalcanti de Albuquerque, coordenador das minhas primeiras campanhas, um anônimo, verdadeiro filho do Brasil. Um homem que, rindo, me contava que, preso e torturado para que me delatasse como um "perigoso" comunista, dizia aos torturadores que nada sabia das minhas ligações políticas, era apenas um empregado que atuava por que estava recebendo um "dinheirinho daquele judeu".

    Não posso também deixar de lembrar e homenagear um companheiro de jornadas, Antonio Reszk, precocemente falecido, que foi deputado nessa Casa, homem limpo, dedicado e comprometido com a população.

    Serão quase nove meses de governo em que tenho a responsabilidade de continuar o trabalho do mais preparado e eficiente homem público que conheci: José Serra. Prossigo a realização das metas que, por ele, por mim e por toda a nossa equipe, foram firmadas com a população de São Paulo. Com os mesmos conceitos e os mesmo valores que marcaram os últimos três anos e três meses do nosso governo. Com o mesmo caráter e a mesma obsessão de afirmar a vontade popular. Com o mesmo anseio de melhorar a vida do nosso povo, acabar com a miséria, diminuir as desigualdades e construir um mundo melhor, com mais amor e solidariedade entre os seres humanos.

    Este sempre foi o meu objetivo na vida. Desde os bancos escolares em que, como simples militante, me empenhei na vida política, passando pelos dois mandatos de deputado estadual e seis mandatos de deputado federal, pelas Secretarias de Estado que exerci, pelo honroso cargo de Ministro de Estado dos Transportes, pelo trabalho de Vice-Governador desse Estado, em todos eles sempre buscando as transformações que eu julgava necessárias para melhorar a vida de nosso povo. Sem qualquer objetivo de poder ou de riqueza.

    Muitos ficam surpresos pelo fato de eu não desejar disputar o governo de São Paulo, já que a candidatura seria natural por eu estar exercendo o cargo e a legislação me permitir a reeleição. Eu já afirmava, há muito tempo, a minha disposição de não disputar qualquer mandato eletivo neste ano. É uma decisão de vida e uma decisão política consciente de que outros companheiros também podem alcançar os mesmos objetivos. Entendo que o meu papel no momento atual é colocar todas as minhas forças para o cumprimento das metas desta administração e contribuir para a eleição dos candidatos do meu partido à Presidência e ao Governo do Estado, sempre nos limites da lei e da ética, pois acredito que o exemplo de respeito a elas deve vir dos que exercem os cargos públicos mais importantes. Os que não acreditam nas palavras dos políticos, e mesmo muitos deles, não acreditavam que a minha decisão fosse para valer. Estou provando que é possível sermos verdadeiros, transparentes e autênticos.

    Terminado o mandato, no fim deste ano, não pretendo uma tranqüila aposentadoria. Enquanto eu tiver forças para trabalhar, pretendo continuar na vida política, ajudando meu Estado e o meu país, com a consciência de que posso colocar minha experiência a serviço do povo brasileiro, qualquer que seja a posição e a responsabilidade que eu assumir.

    Devo dizer que sou o mesmo homem que desde 18 anos de idade, estudante de engenharia na Escola Politécnica da USP, decidiu exercer a militância política com o objetivo de transformar a nossa sociedade, na busca do ideal de igualdade e de fraternidade. Apenas mais maduro, mais realista e mais experiente. Mas com a mesma vontade, a mesma dedicação e a mesma ousadia. E ainda com uma sensibilidade mais aguçada.

    Tornei-me mais resistente nos anos em que enfrentei a ditadura militar. Mais flexível quando construímos a transição daquele regime para a reconquista da democracia. Mais experiente no exercício de funções executivas no Ministério dos Transportes (onde iniciei o processo de concessão das rodovias federais) e nas Secretarias de Administração (onde promovi a reforma administrativa) e, mais recentemente, na de Desenvolvimento do Estado (com o programa de ampliação das ETECs, escolas técnicas e FATECs, faculdades de tecnologia, e a modernização do IPT) e na presidência dos Conselhos de Desestatização e de Parcerias Público Privadas (com a concessão de rodovias, modernização do sistema de trens metropolitanos, e construção de estações de captação e tratamento de água). Tornei-me mais aguerrido no exercício do mandato de Deputado Federal, presidindo e relatando importantes projetos para o desenvolvimento do país e, no exercício da liderança do PSDB em 2005 na Câmara dos Deputados, colocado diante de um delicado momento da história política deste país: o escândalo do mensalão. Aliás, devo admitir: continuo intolerante frente ao mau-caratismo, a mentira, a deslealdade e a corrupção.

    Agora me cabe o comando do Executivo desse Estado. Continuarei um inconformado, sempre desejando mais, ávido por fazer e por aprender, para construir um futuro melhor, com a mesma equipe de sucesso do meu antecessor, estando sempre atento a realizar um governo honrado e eficaz.

    Assim como José Serra, acompanharei a atuação dos nossos servidores públicos, do mais alto escalão até os executores das ações mais simples – afinal os principais responsáveis pelo sucesso de nosso governo – cobrando o cumprimento dos deveres perante o povo paulista, ajustando aqui ou ali o que for necessário, incentivando a criatividade e a inovação, uma das marcas mais características dessa administração. Vamos continuar, obsessivamente, buscando a melhoria na qualidade da educação, o melhor atendimento médico, uma segurança que garanta a tranqüilidade do cidadão, um sistema de trens metropolitanos de qualidade, enfim melhorar o quanto possível os serviços públicos postos à disposição dos paulistas.

    Manterei a austeridade fiscal, no padrão de Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, incentivando os investimentos, não os gastos supérfluos. É assim que vamos garantir, até o final do ano, o maior investimento da história de São Paulo: 64 bilhões de reais.

    Vamos continuar a usar o planejamento como instrumento eficaz para administrar o Estado. Vamos prepará-lo para que o próximo Governador, seja ele quem for, em respeito à decisão popular, possa recebê-lo saudável e pronto para continuar os projetos e os programas em execução. Mais do que isso, vamos planejar o Estado para a próxima década, deixando projetos para que os próximos governos tenham a opção de realizá-los, na forma de sua decisão soberana, sem qualquer perda de tempo. Temos pressa. O país precisa que nosso Estado mantenha-se aquecido, dinâmico, realizador, líder do desenvolvimento de uma Nação que queremos colocar como uma dentre as melhores para a vida dos seres humanos.

    Precisamos contar sempre com os servidores públicos de nosso Estado. São eles, professores, policiais, trabalhadores da saúde e todos os demais, instrumentos do povo paulista para a consecução de suas demandas. Compreendemos os anseios de melhoria salarial e de condições de trabalho. Estaremos sempre prontos a dialogar dentro do nível de respeito necessário entre nós, dirigentes eleitos pelo povo, e os servidores. Nunca com aqueles que ameaçam usar de violência. Nem vamos conciliar com os que transformam reivindicações em instrumento político com finalidade eleitoral.

    Sabemos que todas as despesas de um governo tem de ter a receita correspondente. A arte de nosso ofício é distribuí-la da forma mais justa possível. Salários de servidores, livros nas escolas, medicamentos nos hospitais, trens de metrô, estações de tratamento de esgoto, tudo isso e muito mais são essenciais para a vida dos paulistas, pelos serviços que são prestados e pela geração de empregos e renda que promovem. Tudo deve ser avaliado e balanceado. E decidido com responsabilidade e espírito público.

    Vamos manter com a Assembléia Legislativa a relação já estabelecida de transparência e respeito. Da mesma forma com o nosso Tribunal de Contas, com o nosso Ministério Público e com a Justiça em nosso Estado. E o mesmo relacionamento que tem havido com os prefeitos municipais e com as autoridades do governo federal.

    Obrigado, companheiro José Serra e obrigado meu partido, o PSDB, por terem me escolhido para vice-governador e darem-me agora a oportunidade de governar esse Estado.

    Obrigado a essa maravilhosa equipe de governo e aos servidores de São Paulo que me permitiram aprender cada vez mais para poder melhor governar.

    Obrigado Deuzeni, minha mulher, meus filhos e netos, por terem suportado tantos anos de ausências, sempre com compreensão, amor e carinho.

    E, finalmente, obrigado povo de São Paulo por nos ter dado a oportunidade de colocar a seu serviço a nossa experiência e a nossa vontade de trabalhar, e por me permitir dar ainda mais um pouco daquilo que aprendi em 72 anos de vida e mais de 50 anos de militância por um Brasil melhor.

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