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    Precisamos nos humanizar

    O caso de extrema violência da jovem de 16 anos, que ocorreu no Rio de Janeiro, revela com cores intensas a problemática que está inserida toda a nossa sociedade. O caso dela que infelizmente se assemelha a de centenas de outras vítimas – ganhou projeção devido ao número de homens que supostamente estariam envolvidos.

    A suspeição que mais de 30 homens poderiam ter participado de uma barbárie como esta, impactou a todos nós, e nos levou a uma necessária reflexão.

    A banalização da violência e o preconceito contra as mulheres engrossam um caldo perigoso.

    Segundo o nono anuário de Segurança Pública, 47 mil e 600 pessoas foram vítimas de estupro no Brasil em 2014. Um caso a cada 11 minutos. Só no estado de São Paulo foram registrados em 2014, mais de 10 mil casos, sendo o nosso Estado, o primeiro em ocorrências deste tipo de crime.

    Como deputada, tenho conseguido aprovar Leis que combatem a violência contra a mulher. Entre elas conseguimos que a Secretaria de Segurança Pública divulgue em seu site, os dados de violência contra a mulher separadamente, o que antes não ocorria (Lei 14545).

    Temos também uma a Lei 15425 que precisa ser regulamentada sobre a necessidade das Delegacias terem para consultas em seus sistemas de informação as medidas protetivas expedidas pelo Poder Judiciário.

    Porém é preciso mais do que Leis, precisamos mudar nossa cultura, abraçar verdadeiramente os valores da igualdade e do respeito ao ser humano.

    Denunciar os abusos, combater o machismo, atuar positivamente na educação dos filhos, discutir o assunto e exigir o cumprimento das Leis de proteção à mulher são algumas medidas que precisamos intensificar, para brecar de uma vez por todas, a cultura do estupro – que deriva obrigatoriamente de uma cultura que transforma a mulher em um objeto.

    A coisificação da mulher é um gatilho pra esse tipo de violência. Aquela história de que você alimenta o tráfico quando usa drogas, aqui recebe outro formato: você alimenta a violência quando estimula toda a ação ligada a mulher objeto.

    Pode parecer exagerado, mas não é. Se a mulher é um objeto, ela pode ser usada e abusada sem nenhum problema de consciência por parte do abusador.

    Incluo neste cenário toda uma cultura que através de músicas, danças, propagandas invariavelmente tratam a mulher como objeto, além de promover a erotização do corpo feminino. Daí para a cultura do estupro é um pulo.

    A sociedade que aponta o dedo para os 33 ou 30 supostos abusadores e não consegue processar tamanha barbárie, é a mesma que faz vistas grossas para a desigualdade entre homens e mulheres, para a coisificação e erotização da mulher.

    Precisamos mudar nossa postura e lutar pelos valores que acreditamos. Precisamos nos humanizar.

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