• Veja a opinião da deputada Analice Fernandes sobre o acidente do Metrô.

    Discurso feito na Assembléia Legislativa no dia 25 de janeiro, sobre o acidente na Linha 4 do Metrô

    Venho a esta Tribuna, para manifestar meu posicionamento em relação a este lamentável acidente ocorrido na Linha 4 do Metro, e suas nefastas implicações.

    VIDAS foram perdidas, dano impossível de ser reparado, mesmo que se aponte e puna os culpados, mesmo que as indenizações sejam justas e céleres.

    Quero me solidarizar com as famílias das vítimas, da dona Abigail Rossi de Azevedo, 75 anos; da advogada Valéria Marmit, 37 anos; do motorista Francisco Sabino Torres, 47 anos; do motorista do microônibus, Reinaldo Aparecido Leite, 40 anos; do cobrador Wescley Adriano da Silva, de apenas 22 anos; e do funcionário público Márcio Rodrigo Alambert, 31 anos,… E cobrar que as causas do acidente sejam esclarecidas.

    Esta é a homenagem que podemos prestar aqueles que se foram. Cobrar as responsabilidades.

    Como deputada e cidadã estarei firme neste propósito.

    O que não significa fazermos bravatas com a tragédia que se abateu sobre São Paulo. Fico impressionada com a avidez embutida em determinadas autoridades que se apressam em apontar supostos culpados, em falar sobre a obra em curso, como se especialistas fossem, num total desrespeito às vítimas da tragédia e à própria população que quer ver os fatos esclarecidos, VERDADEIRAMENTE.

    A obra da Linha 4 do Metrô requer uma grande especificidade em suas etapas. É seguramente a obra mais complexa em curso no Brasil, e está sendo executada em uma área totalmente ocupada, portanto deve ser merecedora de cuidados mais do que especiais.

    Segundo especialistas o roll de possibilidades do que pode ou não ter ocorrido é imenso e vai desde erros dos engenheiros responsáveis pela obra – que não teriam levado em consideração o tipo de terreno da futura Estação Pinheiros e adotado métodos inadequados para a escavação…como:

    e até mesmo a mudança do projeto de construção da linha.
    Podemos somar a estas possibilidades a falta de rigores adotada para a fiscalização da obra, como a de critérios para alertar trabalhadores e moradores sobre o risco de acidentes.

     

    • as infiltrações provocadas pela chuva,
    • a surpresa geológica (formação que pode ter passado despercebida nos estudos do solo)
    • a pressa para a construção, que poderia ter causado falhas nas avaliações geológicas,
    • a movimentação de solo imprevista, que teria causado recalques e afundamento, o uso de explosivos;

    Esta complexidade, e número de suposições acabam nos deixando a todos ainda mais temerosos, sobre o que poderá ainda advir.

    Tenho certeza, que depois do ocorrido, os vizinhos as obras da linha 4 do metrô devem estar tendo dificuldades para dormir. Como se tranqüilizar depois do que ocorreu?

    Quais as garantias que o Consórcio – formado pelas construtoras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez – pode dar a cidade de São Paulo, sobre a segurança das obras em curso? Sobram perguntas e suposições e faltam respostas.

    Como deputada estive diversas vezes visitando as escavações da linha 4.

    Na última vez tive a oportunidade de participar de uma detonação no túnel onde será a estação Butantã…. Impressiona a magnitude e a complexidade da obra.

     

    A Linha 4 é uma das nossas bandeiras de mandato, a sua execução mudará diretamente a qualidade de vida de milhares de pessoas que moram na zona sudoeste da Grande São Paulo, e indiretamente a de milhões.

    A operação comercial da primeira etapa da Linha 4 está prevista para dezembro de 2008. Nessa etapa, a linha vai operar os 12,8 quilômetros de vias subterrâneas e as seis estações prioritárias: Butantã, Pinheiros, Faria Lima, Paulista, República e Luz, com 14 trens, que farão integração física e tarifária com as quatro linhas do Metrô (linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, respectivamente, nas estações Luz, Paulista e República) e ligação indireta com a Linha 5-Lilás, por intermédio da Linha "C" da CPTM, na Estação Pinheiros e acesso posterior na Estação Santo Amaro.

    A Estação Butantã terá terminal de ônibus urbano para receber as linhas intermunicipais da região Sudoeste, além das linhas da Cidade Universitária. Já a Estação Faria Lima será fundamental para a revitalização urbana da área dos largos da Batata e Pinheiros.

    A demanda diária estimada para a primeira etapa de operação da Linha 4 é de 700 mil passageiros. Quando estiver totalmente concluída, em 2012, a Linha 4 passará a operar, outras cinco estações: Vila Sônia, São Paulo/Morumbi, Fradique Coutinho, Oscar Freire e Mackenzie/Higienópolis, com acréscimo de 15 trens em sua frota, e deverá transportar diariamente 970 mil pessoas.

    Hoje estes passageiros não dispõem de outro meio de transporte que não seja o ônibus, sendo obrigados a se servirem de mais de um, uma vez que muitos vêem de Taboão da Serra, Embu, Itapecerica e outros municípios da região sudoeste.

    Durante meu mandato acompanhei todo o desenvolvimento e implantação da Linha, fui a porta-voz da região sudoeste, para a necessidade da implantação da estação Vila Sonia, não prevista inicialmente.

    Como porta-voz, desta mesma região, reafirmo, aqui, que a obra não pode parar. Milhares de cidadãos não podem ser penalizados, mais uma vez, pela imprudência ou imperícia que por ventura possa ter ocorrido.

    Caso seja, desta forma, São Paulo será duas vezes penalizada. Pelo terrível acidente e pela paralisação da obra.

    Há sim, que se aumentar os cuidados, que se observar todos os critérios e regras para se redobrar a segurança, dos trabalhadores e dos moradores. Um erro não pode ser sucedido de outro. E parar a linha 4 do Metrô seria um erro enorme.

    Esperamos que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) consiga reunir as informações necessárias sobre o acidente para que as responsabilidades possam ser apuradas. Esta Casa deve acompanhar detalhadamente todo o processo, para garantir que a justiça seja feita, e para garantir também que a obra da Linha 4 não atrase ainda mais, o que traria inúmeros prejuízos para a nossa população.

    O governo José Serra está atento, presente e tenho certeza que saberá conduzir esta crise da melhor maneira possível, principalmente no que diz respeito às indenizações das famílias das vítimas, como já afirmou.

    Uma das ações do governador, na semana passada, foi determinar que o Consórcio Via Amarela realize uma inspeção e reforce a segurança de todas as obras da linha 4.

    A esta Casa cabe fiscalizar e acompanhar detidamente todas as ações, para que os culpados sejam punidos, para que as famílias vitimadas sejam ressarcidas e para que outros acidentes como este não venham a se repetir.

    E para que tudo isto acontece é preciso mais do que bravatas, zé preciso que exista vontade política, trabalho sério e determinado e bom senso.

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